O Rio de Janeiro após a proclamação da República: Uma breve síntese das modificações ocorridas no Rio de Janeiro com o fim da monarquia. [1]
Armando Santana Pereira[2]
Resumo
O objetivo deste artigo é em síntese observar as modificações sofridas na cidade do Rio de Janeiro com o fim da monarquia, e citar as ações realizadas através da população de baixa renda, onde havia uma diversidade étnica de múltiplas culturas em meio a uma sociedade de classes com divisões e interesses particulares.
Palavra chave: cotidiano, discriminação, classes sociais.
Observando através das leituras a vivencia entre os habitantes na cidade do Rio de Janeiro, analisaremos o processo histórico dos sujeitos que contribuiriam através de suas ações mostrando o cotidiano envolvendo imigrantes, negros, mestiços tanto no espaço urbano quanto em uma habitação com divisões privadas, porém, em ambientes de uso coletivo na sua utilização diária onde abrangia pessoas de baixa renda.
Na implantação ou transição do novo regime político brasileiro, da Monarquia para a Republica no final do século XVIII e inicio do século XIX, o Rio de Janeiro encontrava-se como palco principal diante de vários acontecimentos e mudanças que ocorreram neste período principalmente por ser a capital do País. A abolição dos escravos causou um efeito insatisfatório aos senhores de engenho que há muitas décadas usufruíram de mão-de-obra escrava para manter o funcionamento dos seus engenhos, dentre as várias mudanças ocorridas, podemos observar como Carvalho nos informa sobre este aspecto:
Mas as alterações quantitativas são inescapáveis. A primeira delas foi de natureza demográfica. Alterou-se a população da capital em termos de numero de habitantes, de composição étnica, de estrutura ocupacional. A abolição lançou o restante da mão-de-obra escrava no mercado de trabalho livre e engrossou o contingente de subempregados e empregados. Além disso, provocou um êxodo para a cidade proveniente da região cafeeira do estado do Rio e um aumento na imigração estrangeira, especialmente de portugueses. [3]
O Rio de Janeiro encontrava-se com uma população em dobro relativamente comparando as décadas anteriores á Republica, neste novo cenário surge na cidade uma complexa rotina no cotidiano dos antigos e novos moradores, inclusive os ex-escravos que entrava agora em uma nova luta que era a de esquecer o passado de vivencia em cativeiro e buscar uma cidadania, além dos muitos imigrantes em especial os portugueses, que se dividia em uma parte sendo comerciantes outra se misturava em meio aos ex-escravos, índios e mestiços nos diversos trabalhos autônomos. O numero de homens era bem superior ao feminino, muitos solteiros, crianças abandonadas, prostitutas e alguns entre brancos e negros vivam em um relacionamento bem diferente ao que seguia as tradições nupciais. Este grande contingente gerou um numero de pessoas sem emprego e outras mal remuneradas.
A classe dominante que em grande parte se constituía de muitos ex-senhores de engenhos e que buscava uma indenização pela perda dos escravos que ganhara liberdade em virtude do deferimento da lei Áurea, formava juntos aos novos Republicanos a grande resistência em ver esta população como povo brasileiro, conforme nos mostra o Carvalho:
Esta população poderia se comparada ás classes perigosas ou potencialmente perigosas de que se falava na primeira metade do século XIX. Eram os ladrões, prostitutas, malandros, desertores do exercito, da marinha e dos navios estrangeiros, ciganos, ambulantes, trapeiros, criados, serventes de repartições públicas, ratoeiros, recebedores de bondes, engraxates, carroceiros, floristas, bicheiros, jogadores, receptadores, pivetes (a palavra já existia). E, é claro, a figura tipicamente do capoeira, cuja fama já se espalhara por todo o país e cujo número foi calculado em torno de 20 mil ás vésperas da Republica. [4]
A elite não via este povo como cidadãos dignos de fazer parte de uma sociedade política em torno das decisões para uma melhoria no crescimento do país, tudo era articulado no intuito de interesses particulares e voltado sempre ao crescimento e domínio dos Republicanos, e naquele momento, onde se encontrava uma capital diversificada etnicamente, não estava distante apenas do olhar daqueles que estava a frente para representar o Brasil a imagem de um povo como indivíduos sem perfil comparados aos europeus, como nos diz o Carvalho, para Louis Couty, “ ao analisar a situação da população sóciopolítico do país, Couty concluiu que poderia resumi-la em uma frase” : “ O Brasil não tem povo “. Carvalho nos faz perceber a situação do Rio de Janeiro neste período:
Morando, agindo e trabalhando, na maior parte, nas ruas centrais da cidade velha, tais pessoas eram as que mais compareciam nas estatísticas criminais da época, especialmente as referentes ás contravenções do tipo desordem, vadiagem, embriaguez, jogo. Em 1890, estas contravenções eram responsáveis por 60% das prisões de pessoas recolhidas á casa de detenção. [5]
A cidade do Rio de Janeiro no inicio do século XIX não tinha uma estrutura planejada e projetada para o crescimento populacional, onde a maioria tinha como intuito um recomeço de vida após anos de cativo, outros que deixaram sua pátria na aventura de crescer financeiramente em outra pátria, e como vimos, muitas pessoas moravam nas ruas.
Neste tumultuoso inicio de Republica, a população excluída ia sobrevivendo a cada dia em meio às dificuldades e desafios que encontravam pela frente, comparados a produtos de descaso, o que já era difícil multiplicou-se, pois, os novos governantes começaram a transformar a cidade do Rio de Janeiro em uma segunda Paris, e o alvo principal que ia atingir nas mudanças que haveria de ocorrer seria todos aqueles que não faziam parte daquela Republica onde os interesses eram voltados para o individualismo. Podemos observar apesar de ser uma ficção, algumas vertentes que veridicamente se encontra dentro da historiografia do período de implantação da Republica, os portugueses sofreram preconceitos assim como os negros, índios e mestiços, no inicio do regime republicano na cidade do Rio de janeiro, muitos eram comerciantes, carroceiros, operários, homens com o propósito de prosperar na vida e alcançar os limites das classes dominadoras na medida do possível. É neste contexto que no romance de Aluisio Azevedo “O Cortiço”, encontram-se vertentes que veridicamente retrata as ações de uma população que anteriormente cito neste artigo e neste conto Azevedo mostra o surgimento das moradias de alugueis chamadas cortiços.
Nada lhes escapava, nem mesmo as escadas dos pedreiros, os cavalos de pau, o banco ou a ferramenta dos marceneiros.
E o fato é que aquelas três casinhas, tão engenhosamente construídas, foram o ponto de partida do grande cortiço de São Romão. [6]
A busca pela moradia era grande devido principalmente a chegada de algumas indústrias que empregava um enorme contingente de operários, que na medida do possível procuravam habitar-se sempre próximo aos seus trabalhos e assim como os cortiços outras construções surgiram como mostra o Azevedo.
Entretanto, a rua lá fora povoava-se de um modo admirável.
Construía-se mal, porém muito; surgiram chalés e casinhas da noite para o dia; subiam os aluguéis; as propriedades dobravam de valor.[7]
Podemos verificar que as mudanças sofridas nos espaços na cidade do Rio de Janeiro, mostram que antes a toda esta chegada de população e indústrias, os habitantes da cidade vivia de forma costumeira no seu dia a dia, sem múltiplas agitações e de certa forma nas proximidades das vizinhanças seguia de forma bastante privada e se caminhava com certa tranqüilidade pelas ruas pouco habitada.
Nas ruas, o vai e vem de pessoas por todos os lados, e nos cortiços a procura por um espaço de morada de aluguel era grande, não bastava esvaziar uma casinha que logo se preenchia com outro inquilino. Verificamos como o Azevedo descreve em seu romance.
Não obstante, as casinhas do cortiço, á proporção que se atamancavam, enchiam-se logo, sem mesmo dar tempo a que as tintas secassem. Havia grande avidez em alugá-las; aquele era o melhor ponto do bairro para a gente do trabalho. [8]
Apesar das casinhas de alugueis ser habitadas individualmente por cada família, existia um espaço na parte externa que era utilizado coletivamente pelos moradores. Neste local, como havia certa quantidade de água, ainda era freqüentado por pessoas de outros locais que utilizava na lavagem de roupas, Azevedo relata que:
Graças á abundanciada água que lá havia, como em nenhuma outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para estender a roupa, a concorrência ás tinas não se fez esperar; acudiram lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas de bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputa-as. [9]
Como citado, observa-se que mesmo não sendo morador do cortiço as pessoas se relacionavam de forma solidária com outras que se beneficiavam da água utilizada. Percebe-se que não havia uma organização em saneamento e a maioria da população era de classe baixa e sem moradia própria. Nesta síntese, o negro e o imigrante participaram ativamente fazendo parte da classe de baixa renda, nas relações e vivencias em uma cidade que naquele momento era a capital do país e acabara de passar por uma transição política, e foi sobrevivendo às transformações que no seu cotidiano ajudara a construir uma cidade conforme a vontade da elite dominante.
Referências:
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço: 7 ed. São Paulo: Ática,1978.
CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
[1] Artigo apresentado à disciplina História do Brasil século XIX, sob orientação da docente Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes.
[2] Acadêmico do Curso de Licenciatura em História do Departamento de Educação – Campus X / UNEB.
[3] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 16.
[4] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 18.
[5] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 18.
[6] AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978. p. 15.
[7] AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978. p.20.
[8] AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978.p 20.
[9] AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978.p 21.
Armando Santana Pereira[2]
Resumo
O objetivo deste artigo é em síntese observar as modificações sofridas na cidade do Rio de Janeiro com o fim da monarquia, e citar as ações realizadas através da população de baixa renda, onde havia uma diversidade étnica de múltiplas culturas em meio a uma sociedade de classes com divisões e interesses particulares.
Palavra chave: cotidiano, discriminação, classes sociais.
Observando através das leituras a vivencia entre os habitantes na cidade do Rio de Janeiro, analisaremos o processo histórico dos sujeitos que contribuiriam através de suas ações mostrando o cotidiano envolvendo imigrantes, negros, mestiços tanto no espaço urbano quanto em uma habitação com divisões privadas, porém, em ambientes de uso coletivo na sua utilização diária onde abrangia pessoas de baixa renda.
Na implantação ou transição do novo regime político brasileiro, da Monarquia para a Republica no final do século XVIII e inicio do século XIX, o Rio de Janeiro encontrava-se como palco principal diante de vários acontecimentos e mudanças que ocorreram neste período principalmente por ser a capital do País. A abolição dos escravos causou um efeito insatisfatório aos senhores de engenho que há muitas décadas usufruíram de mão-de-obra escrava para manter o funcionamento dos seus engenhos, dentre as várias mudanças ocorridas, podemos observar como Carvalho nos informa sobre este aspecto:
Mas as alterações quantitativas são inescapáveis. A primeira delas foi de natureza demográfica. Alterou-se a população da capital em termos de numero de habitantes, de composição étnica, de estrutura ocupacional. A abolição lançou o restante da mão-de-obra escrava no mercado de trabalho livre e engrossou o contingente de subempregados e empregados. Além disso, provocou um êxodo para a cidade proveniente da região cafeeira do estado do Rio e um aumento na imigração estrangeira, especialmente de portugueses. [3]
O Rio de Janeiro encontrava-se com uma população em dobro relativamente comparando as décadas anteriores á Republica, neste novo cenário surge na cidade uma complexa rotina no cotidiano dos antigos e novos moradores, inclusive os ex-escravos que entrava agora em uma nova luta que era a de esquecer o passado de vivencia em cativeiro e buscar uma cidadania, além dos muitos imigrantes em especial os portugueses, que se dividia em uma parte sendo comerciantes outra se misturava em meio aos ex-escravos, índios e mestiços nos diversos trabalhos autônomos. O numero de homens era bem superior ao feminino, muitos solteiros, crianças abandonadas, prostitutas e alguns entre brancos e negros vivam em um relacionamento bem diferente ao que seguia as tradições nupciais. Este grande contingente gerou um numero de pessoas sem emprego e outras mal remuneradas.
A classe dominante que em grande parte se constituía de muitos ex-senhores de engenhos e que buscava uma indenização pela perda dos escravos que ganhara liberdade em virtude do deferimento da lei Áurea, formava juntos aos novos Republicanos a grande resistência em ver esta população como povo brasileiro, conforme nos mostra o Carvalho:
Esta população poderia se comparada ás classes perigosas ou potencialmente perigosas de que se falava na primeira metade do século XIX. Eram os ladrões, prostitutas, malandros, desertores do exercito, da marinha e dos navios estrangeiros, ciganos, ambulantes, trapeiros, criados, serventes de repartições públicas, ratoeiros, recebedores de bondes, engraxates, carroceiros, floristas, bicheiros, jogadores, receptadores, pivetes (a palavra já existia). E, é claro, a figura tipicamente do capoeira, cuja fama já se espalhara por todo o país e cujo número foi calculado em torno de 20 mil ás vésperas da Republica. [4]
A elite não via este povo como cidadãos dignos de fazer parte de uma sociedade política em torno das decisões para uma melhoria no crescimento do país, tudo era articulado no intuito de interesses particulares e voltado sempre ao crescimento e domínio dos Republicanos, e naquele momento, onde se encontrava uma capital diversificada etnicamente, não estava distante apenas do olhar daqueles que estava a frente para representar o Brasil a imagem de um povo como indivíduos sem perfil comparados aos europeus, como nos diz o Carvalho, para Louis Couty, “ ao analisar a situação da população sóciopolítico do país, Couty concluiu que poderia resumi-la em uma frase” : “ O Brasil não tem povo “. Carvalho nos faz perceber a situação do Rio de Janeiro neste período:
Morando, agindo e trabalhando, na maior parte, nas ruas centrais da cidade velha, tais pessoas eram as que mais compareciam nas estatísticas criminais da época, especialmente as referentes ás contravenções do tipo desordem, vadiagem, embriaguez, jogo. Em 1890, estas contravenções eram responsáveis por 60% das prisões de pessoas recolhidas á casa de detenção. [5]
A cidade do Rio de Janeiro no inicio do século XIX não tinha uma estrutura planejada e projetada para o crescimento populacional, onde a maioria tinha como intuito um recomeço de vida após anos de cativo, outros que deixaram sua pátria na aventura de crescer financeiramente em outra pátria, e como vimos, muitas pessoas moravam nas ruas.
Neste tumultuoso inicio de Republica, a população excluída ia sobrevivendo a cada dia em meio às dificuldades e desafios que encontravam pela frente, comparados a produtos de descaso, o que já era difícil multiplicou-se, pois, os novos governantes começaram a transformar a cidade do Rio de Janeiro em uma segunda Paris, e o alvo principal que ia atingir nas mudanças que haveria de ocorrer seria todos aqueles que não faziam parte daquela Republica onde os interesses eram voltados para o individualismo. Podemos observar apesar de ser uma ficção, algumas vertentes que veridicamente se encontra dentro da historiografia do período de implantação da Republica, os portugueses sofreram preconceitos assim como os negros, índios e mestiços, no inicio do regime republicano na cidade do Rio de janeiro, muitos eram comerciantes, carroceiros, operários, homens com o propósito de prosperar na vida e alcançar os limites das classes dominadoras na medida do possível. É neste contexto que no romance de Aluisio Azevedo “O Cortiço”, encontram-se vertentes que veridicamente retrata as ações de uma população que anteriormente cito neste artigo e neste conto Azevedo mostra o surgimento das moradias de alugueis chamadas cortiços.
Nada lhes escapava, nem mesmo as escadas dos pedreiros, os cavalos de pau, o banco ou a ferramenta dos marceneiros.
E o fato é que aquelas três casinhas, tão engenhosamente construídas, foram o ponto de partida do grande cortiço de São Romão. [6]
A busca pela moradia era grande devido principalmente a chegada de algumas indústrias que empregava um enorme contingente de operários, que na medida do possível procuravam habitar-se sempre próximo aos seus trabalhos e assim como os cortiços outras construções surgiram como mostra o Azevedo.
Entretanto, a rua lá fora povoava-se de um modo admirável.
Construía-se mal, porém muito; surgiram chalés e casinhas da noite para o dia; subiam os aluguéis; as propriedades dobravam de valor.[7]
Podemos verificar que as mudanças sofridas nos espaços na cidade do Rio de Janeiro, mostram que antes a toda esta chegada de população e indústrias, os habitantes da cidade vivia de forma costumeira no seu dia a dia, sem múltiplas agitações e de certa forma nas proximidades das vizinhanças seguia de forma bastante privada e se caminhava com certa tranqüilidade pelas ruas pouco habitada.
Nas ruas, o vai e vem de pessoas por todos os lados, e nos cortiços a procura por um espaço de morada de aluguel era grande, não bastava esvaziar uma casinha que logo se preenchia com outro inquilino. Verificamos como o Azevedo descreve em seu romance.
Não obstante, as casinhas do cortiço, á proporção que se atamancavam, enchiam-se logo, sem mesmo dar tempo a que as tintas secassem. Havia grande avidez em alugá-las; aquele era o melhor ponto do bairro para a gente do trabalho. [8]
Apesar das casinhas de alugueis ser habitadas individualmente por cada família, existia um espaço na parte externa que era utilizado coletivamente pelos moradores. Neste local, como havia certa quantidade de água, ainda era freqüentado por pessoas de outros locais que utilizava na lavagem de roupas, Azevedo relata que:
Graças á abundanciada água que lá havia, como em nenhuma outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para estender a roupa, a concorrência ás tinas não se fez esperar; acudiram lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas de bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputa-as. [9]
Como citado, observa-se que mesmo não sendo morador do cortiço as pessoas se relacionavam de forma solidária com outras que se beneficiavam da água utilizada. Percebe-se que não havia uma organização em saneamento e a maioria da população era de classe baixa e sem moradia própria. Nesta síntese, o negro e o imigrante participaram ativamente fazendo parte da classe de baixa renda, nas relações e vivencias em uma cidade que naquele momento era a capital do país e acabara de passar por uma transição política, e foi sobrevivendo às transformações que no seu cotidiano ajudara a construir uma cidade conforme a vontade da elite dominante.
Referências:
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço: 7 ed. São Paulo: Ática,1978.
CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
[1] Artigo apresentado à disciplina História do Brasil século XIX, sob orientação da docente Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes.
[2] Acadêmico do Curso de Licenciatura em História do Departamento de Educação – Campus X / UNEB.
[3] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 16.
[4] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 18.
[5] CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a Republica que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 18.
[6] AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978. p. 15.
[7] AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978. p.20.
[8] AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978.p 20.
[9] AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 7 ed. São Paulo: Ática,1978.p 21.

O Rio recebeu uma multidão de ex-escravos após a Abolição e esse fato veio trazer inúmeros problemas urbanos, com um contingente de pessoas saídas de uma vida cruel e jogadas sem qualquer tipo de apoio ou assistência à sua própria sorte.
ResponderExcluirAs mudanças ocorridas do sec xix para cá foram muito significativas para a população brasoileira.Entretanto, em pleno século XXI as forças políticas continuam utilizando de interesses , tanto econômicos, quanto políticos
ResponderExcluirpara continuarem exercendo o poder contra as classes menores favorecidas para usurparem a mior fatia do bolo.
Importante esse relato de Aluísio Azevedo quando fala sobre a solidariedade, digamos assim, que existia nos cortiços. Como o nosso líquido precioso, a água, fazia com que as pessoas interagissem naquele momento.Nem só a água, mas a busca de um cantinho onde pudessem alojar, tornava-se bastante significativo diante de tantas dificuldades.
ResponderExcluirArmando !
ResponderExcluirA cidade do Rio de Janeiro no século XIX, não tinha uma estrutura para um crescimento tão aceleradodo seguindo um modelo da Belle Epoque. Essa realidade é tão triste ao analizarmos o seu artigo e vê que pesssoa comum como homens trabalhador, mulheres, crianças pobre, era extremamente excluído desse plano urbano.
Adorei esse artigo e fico com o questionamento como esses excluídos sobreviveram ou não a esse modelo de vida material?????
Armando,
ResponderExcluirA cidade do Rio de Janeiro no século XIX, não tinha uma estrutura para suportar tamanha transformação copiando um modelo Belle Epoque essa realidade é tão triste, ao analizarmos o seu texto e vê que pessoas simples, como um pobre trabalhador, mulheres, crianças era extremamente excluída desse plano urbano. O seu artigo nos remete a penasr como essas pessoas sobreviveram ou não a essa tão agressiva transformação.
Valeu adorei !!!
Até os dias atuais em alguns bairros de classe média no centro do Rio de Janeiro existe as vilas, onde geralmente vivem pessoas que tem algo em comum, talvez seja uma referência aos antigos cortiços e na periferia existe as favelas que provavelmente nasceu da expulsão dos indesejados tão bem descrito em seu artigo, o passado deixa suas marcas no presente.
ResponderExcluirAinda existem vilas próximo ao centro do Rio, que lembram os antigos cortiços e as favelas na periferia que cresceram de maneira desordenada, a formação foi iniciada neste período, é o passado interferindo no presente de maneira marcante.
ResponderExcluirO Rio e São Paulo foram aas cidades que sofreram as mais profundas transformaçãoes apos a Proclamação da Republica,mais nessas modoficaçãoes estavam de fora as negros e pobres.Estes já não cabiam no ideal de cidade que se queria criar,um ideal totalmente europeus.A escravidão e seus protagonistas deveriam ser esquecidos.
ResponderExcluirVIVENDO EM PLENO SECULO XXI AINDA NOS DEPARAMOS COM PESSOAS QUE AGEM EM PROL DO SEU PROPRIO INTERESSE, E DESCASO COM A POPULAÇAO AINDA ASSOLA A SOCIEDADE.
ResponderExcluirSabemos que na Proclamação da República, houve muitas transformações, mas as pessoas pobres ficaram completamente a margem, sendo completamente descartadas.
ResponderExcluirMuito bom seu artigo
SEU TEXTO ESTA MUITO BOM E NOS FAZ REFLETIR SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NA SOCIDADE CARIOCA E OS TRANTORNOS QUE ESSA VEIO CUSAR
ResponderExcluir